Comunicação Gráfica e Planejamento Gráfico
arte, fotografia, artes gráficas, design, ilustração


Domingo, Março 25, 2007  

O papel

Até a Idade Média, a escrita cotidiana usava materiais flexíveis, como o papiro (Egito), couro de animais (de bezerros, chamados de pergaminho por ter origem na cidade de Pérgamo - na Itália e na época, corte de um dos estados helênicos decorrentes do desmembramento do império Romano pós Alexandre Magno). Depois de secos, raspados e branqueados eram dobrados em quatro partes e recortados, os quaternos ou caternos, origem do nome da ¿juntada¿ de folhas que usamos ainda hoje, o caderno. Em artes gráficas caderno se refere ao conjunto de 4 páginas. Um ¿caderno¿ é sempre um conjunto múltiplo de 4. A origem do papel feito da polpa de árvore, ervas, trapos de tecido, redes de pescar e cal (para ajudar a desfibrar a pasta de celulose) e seco sob um fina forma de madeira recoberta de seda, foi a China. Atribui-se ao conselheiro T¿sai Lun, da corte do imperador Chien-ch¿u, em 105 d.C. a invenção, que deveria permanecer secreta, mas que foi levada por monges budistas para o Japão e Coréia. Outras fontes atribuem a invenção ao general Mong Tien, em 210 a.C.. No século VIII, prisioneiros chineses capturados pelos árabes na batalha de Samarkand (região central do Usbequistão, na época parte da China), ensinaram-lhes a fabricação do papel, que através do domínio do sul da Europa pelos mouros, chegou a península ibérica, no sul da Espanha, em cidades como Toledo e Valência. No século X (1102) durante a ocupação árabe da Sicília, a Itália passou a produzir papel. Em 1298, Marco Polo, de regresso da China, reportava ter assistido a impressão de papel-moeda nas gráficas do imperador. O papel nesse período ainda era considerado frágil, rude e feio. Até o século XV o pergaminho era predominante. No século XV, na cidade de Fabriano (Itália), fabrica-se então um dos melhores papéis existentes, de mesmo nome, e fabricado até hoje. Na Alemanha, desde 27 fevereiro de 1584, fabrica-se um papel de alta qualidade, fabricante que a partir de 1886 passa a ter o nome de Hahnemühle. Hoje os melhores papéis artísticos e para impressão de fotografia digital com qualidade museográfica são fabricados por essa indústria. Na cidade de Capellades, na Catalunha, Espanha, uma das principais atrações turísticas é um moinho movido à roda d¿água, onde se fabrica papel como no século XVIII. A primeira fábrica legal de papel no Brasil data de 1809/1810, no Rio de Janeiro, no bairro do Andaraí, de propriedade de Henrique Nunes Cardoso e Joaquim José da Silva. O Brasil é, hoje, o maior produto de ¿celulose verde¿ do mundo e o maior exportador da matéria-prima do papel. Em compensação não produz papel em quantidade suficiente para o consumo interno, tendo de importá-lo. O papel importado para imprensa não paga impostos.

Papel se especifica pelo peso. A gramatura corresponde ao peso da folha por metro quadrado, que decorre da quantidade de celulose, gesso, aglutinantes etc. e independe da espessura da folha. Essa decorre da prensagem e calandragem do papel. Calandras são grandes cilindros de metal cromado e aquecido por onde o papel passa durante a fabricação e isso vai determinar sua lisura e porosidade. O papel, normalmente é fabricado em bobinas e pode ser vendido nesse formato ou em folhas em tamanhos específicos (AA, BB, Série A - ou DIN ou ISO - etc.). Por ser formado por fibras de celulose, normalmente em uma direção, que é a do lado maior, o papel rasga com mais facilidade nesse sentido do que contra a fibra. O papel usado em revistas (LWC ¿ low wasted coated, papel com boa cobertura, levemente brilhante e de baixo peso) tem fibras em todas as direções da folha, o que o torna mais resistente e permite que seja fabricado com menos polpa, portanto mais fino. O papel Kraft também tem fibras em múltiplas direções, mas por não ser branqueado, não tem uso comum em publicações. As gramaturas mais comuns estão entre 75 g/m2, 90 g/m2 e 120g/m2. Quanto maior a gramatura, menos transparente será o papel. Quando se trata de um livro de muitas páginas, um dicionário, por exemplo, pode-se usar um papel mais fino, mas de boa resistência, o papel bíblia, que tem aproximadamente 50 g/m2 e, como já diz o nome, surgiu para impressão da Bíblia. Os papéis mais ¿nobres¿ tem mais gesso e gomas na sua composição sendo menos permeáveis à tinta de impressão. Nesse caso estão os couchê ou cuchê. Podem ser brilho ou matte (fosco). Há o film coat, que tem uma película superficial que produz acabamento brilhoso, mas de custo menor que o cuchê. Os papéis brancos comuns são o off-setM, alta alvura, bufon e apergaminhado, nomenclaturas para tipos de papel muito semelhantes. Há ainda os da linha Pólen (soft e bold), da Cia. Suzano e o Chamois (fine e bulk), da Ripasa. São papéis de tons areia e acabamento do muito liso ao muito áspero. São também chamados off-withe. Supõe-se que sejam melhores para leitura, pois não refletem tanto a luminosidade quanto os papéis brancos.

Há ainda o principal papel usado pela indústria de embalagens, o cartão duplex e o cartão triplex (com acabamento branco liso apenas de um dos lados) e para capas de livros, o cartão branco (com acabamento branco liso de um dos lados e branco áspero do outro), em gramaturas que vão do 180g/m2 ao 600 g/m2. Há o Duo Design, da Cia. Suzano, que permite boa impressão em ambos os lados lisos, ou seja frente-e-verso. Há também o Reciclato, marca da Suzano para um papel reciclado, que tem fibras visíveis, de tom escuro em um papel de cor marrom bem claro. A Filliperson também fabrica papéis reciclados, com variados nomes fantasia, texturas e colorações diversas. Há outros fabricantes de papéis e também importadores que tem, além das linhas convencionais, papéis especiais que podem acrescentar diferencial ao produto gráfico. Existem também os papéis vergé, Ingres e papéis com texturas superficiais diversas, em gramaturas variadas. Para conhecer melhor os diversos tipos de papel, solicite mostruários aos fabricantes e revendedores.

posted by JOSÉ ANTONIO DE OLIVEIRA 4:51 PM


Segunda-feira, Março 19, 2007  

O Tipo e a Composição

Um dos elementos básicos de um projeto gráfico é a escolha do tipo. O tipo é, exatamente, o desenho das letras. Ao conjunto completo de desenhos de caracteres (uma mesma família de tipos), chamamos fonte. Escolher a tipografia decorre da necessidade de organizar e harmonizar visualmente a legibilidade e a leiturabilidade da informação.
A origem do nosso alfabeto - fonético - foi a escrita dos comerciantes fenícios. A primeira letra de sua escrita era a cabeça do boi, o Ox (Alpha para os gregos), a segunda, a casa (Beta na escrita helênica). Os gregos se apropriaram dessa forma gráfica de representar os sons, as palavras, a qual chamaram de alfabeto. O império romano, ao absorver a cultura helênica, adotou sua escrita, reduzindo de 26 para 23 os glifos básicos. Nesse período se consolidaram as codificações formais do desenho das letras, maiúsculas, chamadas capitalis monumentalis, capitais, capitulares ou ainda, versais (e quando ocorria o uso de maiúsculas de tamanho menor que a inicial, esta se chamam versaletes), em decorrência da finalidade e do suporte onde eram inscritos. A escrita oficial, legislativa, poética ou narrativa, utilizava-se de materiais duros, como a pedra e o metal e neles se gravava apenas em caracteres maiúsculos, sem separação entre as palavras. A escrita em materiais macios (velino - couro de bezzero, branqueado com cloro e seco ao sol, depois dobrado em quatro partes - os caterno ou caderno -, papiro ou tecido) usava apenas minúsculas e também não haviam os espaço entre as palavras.
A reforma ortográfica promovida pelo imperador Carlos Magno, primeiro imperador romano a se converter ao catolicismo (chamada Reforma Carolíngea), padroniza a escrita, misturando maiúsculas e minúsculas, criando o espaço vazio entre as palavras e a pontuação, tinha por finalidade unificar a escrita e leitura da Bíblia.

De onde vem as serifas

A finalidade das serifas, extensões nas extremidades das letras gravadas em pedra ou metal, além da clássica explicação de que existem em função da criação de linhas imaginárias de apoio à leitura e união das palavras, tem uma outra - mais prosaica - justificativa, que seriam o tempo e os detritos. Seriam uma forma de escoamento da água da chuva que lavaria a sujeira que se acumulava dentro do sulco da letra e que com sua angulação triangular, permitem à água escorrer, misturada com terra e resíduos, lavando do sulco da letra, afinal os textos, em monumentos ficavam expostos ao tempo. Com a padronização o texto escrito e as minuúsculas herdam as serifas da gravação na pedra.

Características do tipo

Na Idade Média, os primeiros tipos em metal tinham a mesma forma das letras manuscritas, tentando imitar o livro copiado a mão, considerado mais valioso e nobre que o impresso. As letras tinham o desenho estreito, alongado, cheio de pontas, característico do traço à mão com a pena ou pincel de ponta chata. Era uma letra escura, grossa, que compunha páginas pesadas e de leitura lenta. Era a blackletter, a gótica (que adotou desenhos diferentes, dependendo da região, com nomes como Fraktur, Rotunda, Bastarda e Textura). Livros, como a Bíblia de 42 linhas (por volta de 1446-1448), de Johann Gutenberg, que é considerado o primeiro livro impresso, foram compostos em gótico, chamado D.K, na Mongúcia, hoje Mainz, na Alemanha.
Os primeiros tipos romanos aparecem em Estrasburgo, usados por Arnold Pannartz & Konrad Sweynheym, em 1465. Ainda eram muito influenciados pela letra manuscrita medieval, muito escuros e pesados. A primeira família completa de romanas foi desenhada por Nicolas Jenson, que foi aprendiz na oficina de Gutenberg, enviado para aprender o ofício da composição/impressão pelo rei Carlos IX, da França. Mas não foi na Imprimiére Royalle, pois quando retornou da Alemanha o rei já era Luis XIV e este não achou a composição e impressão dignas de um rei, categoria que só poderia ser alcançada pelo livro manuscrito. Jenson vai então para a Veneza, cidade próspera e rica. Lá, trabalha para um italiano, Teobaldo Manucci, que vai ser o responsável pelos maiores avanços estéticos na composição e impressão de textos e livros. Adota o nome latino de Aldus Manutius, e é considerado o primeiro editor, por ter controle sobre todo o processo do livro, desde a escolha dos textos e autores, passando por sua composição, impressão e encadernação, até sua distribuição. Foi o criador do primeiro conselho editorial e do livro de bolso, além da idéia de coleção. Um ¿faz-tudo¿, Manutius deu origem a uma vertente do estilo de compor e imprimir livros que ficou conhecida como gráfica Aldina - o primeiro programa de computador, de editoração eletrônica, o PageMaker, lançado em 1995, foi produzido por uma softhouse que adotou o nome de Aldus. Nessa época os tipos eram apenas os romanos chamados ¿redondos¿. Já os tipos romanos itálicos surgem em 1501 (usados numa edição da Opera, de Virgílio), criados por Francesco de Griffo, de Bolonha, na mesma oficina de Manutius onde trabalhou o então já falecido Jenson. Criado para se poder compor mais letras por linha, mais texto por página e menos páginas por livro, acabou se revelando de leitura cansativa, onde depois de algum tempo, começa-se a perder a emenda do final da linha com a seguinte, se revelando, no entanto, de grande valia para destacar trechos de leitura. Grifar vai então se tornar sinônimo de italizar, afinal crido por um italiano em uma cidade italiana. O itálico não é apenas o romano inclinado, mas os tipos tem desenhos especificamente criados para o encaixe das letras nas linhas. O belo tipo de Nicolas Jenson (que ainda hoje tem seu nome), redesenhado por Griffo, vai ser usado por Aldus na edição do De Aetna, texto do futuro bispo Pietro Maria Bembo, sobre sua viagem ao monte Etna. O tipo redesenhado, veio a receber o nome do autor do livro, Bembo, ainda hoje um dos mais belos desenhos tipográficos. Os tipos maiúsculos eram guardados na parte superior de uma grande caixa de madeira e receberam por isso, a denominação de caixa-alta. Os minúsculos, guardados na parte de baixo, receberam a denominação de caixa-baixa. Mesmo guardados hoje em dia em arquivos digitais, nos discos rígidos, continua-se a denominá-los assim.

O francês Claude Garamond, supunha-se, desenhou uma fonte considerada das mais legíveis, baseada na Bembo, e, pela primeira vez, um tipógrafo misturou redondas e itálicas, em uma família, especificamente desenhada para ser usada como destaque no corpo do texto. Hoje existem pelo menos nove desenhos diferentes com o nome Garamond, de várias typehouse, de alguma forma baseados na original, que não teria sido criada por Garamond, mas por Christophe Plantin, que, fugindo das perseguições religiosas aos protestantes, abandonou suas matrizes na oficina de Garamond. Os mais belos e fiéis redesenhos talvez sejam a Garamond de Carol Towbly e a fonte chamada Sabon, desenho de Jan Tschichold.

Phillipe Granjean criou primeira romana desenhada com ¿base científica¿, por encomenda do rei da França, Louis XV, para a Imprimiére Royale e que teve o nome de Roman du Roi. Nessa época as romanas humanistas, com características decorrentes do desenho da letra pela pena, pelo movimento da mão humana, começam a perder espaço para as romanas com serifa chamadas transicionais, onde a construção geométrica da fonte se torna importante. Os inglêses John Baskerville e Wiiliam Caslon (sua fonte foi utilizada na primeira versão da Declaração da Independência americana) vão se destacar nesse período.
Com a difusão do tipo móvel tomou-se necessária uma padronização. Essa foi uma das tarefas a que se dedicou Pierre Simon Fournier. Nessa época usava-se estabelecer medidas a partir de referências humanas, tendo como base os tamanhos dos reis, por exemplo. Eram braças, palmos e pés. A medida chamada , conta-se que baseada no pé do rei, foi dividida por 12 (o chamado sistema duodecimal), chegando-se a menor medida, o ponto. O ponto de Fournier mede 0,350 mm. Deu-se o nome de cícero ao tipo de corpo onze que fora usado para imprimir as Espitolae ad familiares, de Cícero.

François-Ambroise Didot aperfeiçoou o sistema de Foumier, para estabelecer o cícero de 12 pontos. O ponto nesse sistema mede 0,376 mm. O sistema anglo-americano segue a mesma lógica duodecimal, mas baseia-se na divisão da polegada, que acarretou um ponto de 0,351 mm, ou 1/72 de uma polegada. A medida nesse sistema chama-se paica, (em inglês, pica, provavelmente derivada do latim pie, que significa "breviário litúrgico". Todo o processo de medição, assim como o de conversão entre sistemas utilizava réguas especiais, feitas em filme transparente, chamadas tipometros. Hoje, na editoração eletrônica, o computador faz as conversões entre polegadas, centímetros, paicas etc.

Firmin Didot e Giambattista Bodoni desenvolveram tipografias romanas racionais, geométricas, de tensão vertical e serifas finas, com grande variação de espessura entre as hates e traves. A Didot e a Bodoni são semelhantes e as tipografias desse período são também chamadas didones.

Os padrões estabelecidos naquela época são os mesmo que utilizamos hoje em dia. O entrelinhamento (espaço entre uma linha e outra) é, normalmente, a medida do corpo posterior ao corpo usado no texto (10/12, 11/13, 14/16,24/28,30/36, etc... os tamanhos mais utilizados nos sistemas convencionais vão do corpo 9 ao corpo 72. Na editoração eletrônica o computador calcula a entrelinha pela medida do corpo mais 20%. O alinhamento pode ser pela direita, pela esquerda, centralizado e justificado (alinhado pelos dois lados). Esse último é o mais comum, em livros, revistas e jornais, especialmente em páginas divididas em colunas. Nesse caso, utiliza-se a separação de sílabas ativada, a chamada hifenação, que deve ser evitada em textos desalinhados. Os corpos até o tamanho 12 (com serifa) e 11 (sem serifa) são os utilizados para texto, dependendo da finalidade da publicação e do volume de texto. Os corpos maiores são utilizados para títulos, cartazes, anúncios etc.

posted by JOSÉ ANTONIO DE OLIVEIRA 4:06 PM


Domingo, Março 11, 2007  

Tipografia (originada do grego typos - "forma" - e graphein - "escrita") é o processo de composição de textos, a partir da escolha de determinadas fontes tipográficas, por suas características formais, pelo seu desenho. Um dos objetivos da tipografia é dar ordem estrutural à comunicação impressa, mas há também a comunicação não-verbal, não-textual, que se dá através das características formais das fontes (Com serifas (extensões nas extremidades do desenho das letras, originárias de sua gravação em pedra e metal) - as romanas humanistas, as romanas transicionais e as romanas geométricas. As sem serifas - as geométricas e as humanistas. As script, ou manuscritas, que tentam imitar a caligrafia humana. As fantasia, que misturam forma com formais ilustrativas.

Tipografia também é nome de um processo de impressão, "criado" por Johannes Gutenberg, em Mainz, na Alemanha, em 1447 e hoje quase extinto, que usa os tipos móveis, onde cada letra, número e sinal é uma peça com o desenho da letra em alto relevo, moldada em uma liga de chumbo, estanho e antimônio.

Como escolher?

O processo de leitura não é linear. Os olhos percorrem a linha, identificando trechos das palavras, pulando trechos, retornando. O movimento dos olhos é descontínuo. O cérebro é quem organiza a leitura. Nesse processo sutil, a forma, o desenho das letras, interfere no reconhecimento da informação, ao longo do tempo de leitura. A aparência total da página também influi no processo de leitura, onde desenhos mais leves ou mais pesados podem manter a atenção do leitor ou dispersá-lo. Tamanho (corpo) da fonte e espaço entre letras e entre linhas também influem na velocidade da leitura e nos níveis de cansaço visual.

Dois aspectos são fundamentais na escolha do tipo a ser usado na publicação. A legibilidade decorre do tempo de identificação dos caracteres individualmente. Essa identificação está ligada a forma e a familiaridade que tenhamos com determinado tipo. Melhor identificamos aquilo que mais conhecemos. A leiturabilidade decorre das características do conjunto, da leitura das sílabas (não lemos letras individualmente, mas seu agrupamento), da forma como os tipos se aproximam, se afastam, se encaixam.

Existem dezenas de excelentes fontes com serifa e sem serifa, conjuntos completos de caracteres (inclusive os acentuados), números, símbolos e ornamentos, bem como tabelas internas de espaçamento entreletras (kernig). Algumas delas são desenhos existentes a mais de 500 anos. Algumas mais recentes, com menos de 50 anos. Muitas se diferenciam por pequenos detalhes de sua "anatomia" (sim, fontes tem "anatomia"!!!), que podem parecer insignificantes na hora de escolher. Provavelmente serão mesmo e a opção será feita por gosto, por vontade de usar uma determinada família de tipos. Essa não é uma questão tão fundamental. O que importa é adequar a escolha ao tipo de texto, sua função, seu significado e o tipo de publicação e ao publico a quem se dirije.

Uma das características da composição tipográfica é o corpo (tamanho) da fonte. Usualmente, fontes com serifa são usadas em corpos entre 10 e 12 pontos. Em fontes sem serifa, corpos entre 9 e 11 pontos. O ponto gráfico é a menor medida em artes gráficas e corresponde a aproximadamente 0,35 mm. O desenho da famíla escolhida, pode, em um mesmo corpo parecer maior ou menor, dependendo do tamanho do "olho" (o miolo do desenho da letra) em relação ao tamanho das serifas, quando as há, e ao tamanho das hastes e traves, as linhas verticais e horizontais do desenho da fonte. Outra característica a ser observada é o espaço entre as linhas. Automaticamente o computador atribui, a entrelinha, 20% a mais do que o corpo da fonte. Por exemplo, em corpo 12, entrelinha 14,4. Esse tamanho pode ser aumentado ou diminuído dependendo do altura da mancha (chama-se "mancha gráfica" a área impressa da página) e da "leveza" que se queira atribuir à página, pois ao abrir a entrelinha teremos páginas menos escuras, de tom "cinza" mais leve. Novamente o tipo de publicação e público determinam nossas escolhas. Mas, para tudo, há limites. Não se deve abrir ou apertar demais a entrelinha, assim como os espaços entre letras, para não tornar a leitura difícil, seja pela proximidade excessiva, seja por afastamento. O mesmo ocorre em linhas com mais de 72 caracteres e espaços e linhas com menos de 22 caracteres e espaços (normalmente páinas com mais de uam coluna). Depois de algum tempo, começa-se a "perder" a continuidade da leitura entre o final de uma linha e o início de outra, por cansaço visual.

Tipografia depende de atenção e percepeção.

posted by JOSÉ ANTONIO DE OLIVEIRA 12:52 PM


Segunda-feira, Março 05, 2007  



Imagem em 1-bit, ou seja, em alto contraste, onde só há pretos e brancos

posted by JOSÉ ANTONIO DE OLIVEIRA 4:55 PM
 



Imagem, em Escala de Cinzas, com apenas um canal de cor

posted by JOSÉ ANTONIO DE OLIVEIRA 4:51 PM
 



Imagem com 20 cm x 30 cm, em 72 pixels por polegada
Está em RGB
É um arquivo de 8 bits por canal
Está em formato JPG

posted by JOSÉ ANTONIO DE OLIVEIRA 4:48 PM
 

As inúmeras definições de cor

Assim como tamanho de imagem não é mais apenas seu tamanho físico, em centímetros, cor (que na verdade é a emissão ou reflexão de partes do espectro luminoso), não diz respeito a apenas um atributo da luz.

A cada pixel, de cada canal de cor da imagem correspondem intensidades de luminosidade. Em imagens em modo de cor RGB - red, green and blue (onde a imagem é decomposta nas cores primárias de luz - vídeo/tv, web, scanner, câmeras digitais) são 3 canais, pixels que filtram o comprimento de onda relativo ao vermelho, pixels que filtram o comprimento de onda relativo ao azul e pixels que filtram o comprimento de onda relativo ao verde, processos similares nas câmeras fotográficas digitais, nas de vídeo digital, scanners e web. Em imagens de 8 bits por canal, são 256 estados - do 0 (ausência de luz) ao 255 (luz plena). Em imagens de 16 bits por canal, são 75.550 estados, ou seja, maior riqueza de detalhes, tonalidades e brilho. Nas imagens de 32 bits por canal, são 16.720.000 estados. O Photoshop CS lida com imagens de 8 e 16 bits. Os arquivos JPG são imagens de 8 bits por canal apenas. Ao se aumentar a profundidade de cor de uma imagem não há ganho na qualidade da imagem. Ao diminuirmos, há perda, mas pouco perceptível, visualmente.

Na impressão profissional (onde é necessária a transformação da imagem chamada de tom contínuo, com toda sua gama de cores ou cinzas em imagem de meio-tom - onde pontos muito pequenos simulam por concentração as passagens de tonalidades), temos sempre de converter as imagens de 3 canais RGB em imagens de 4 canais de cor CMYK - ciano (azul), magenta (rosa), amarelo e preto, a letra k, de black (ao contrário do RGB, são as cores secundárias de luz ou primárias de pigmanto) que serão, então, enviadas ao filme de artes gráficas (alto contraste, onde só há pretos e transparência, sem cinzas) ou às chapas de metal cobertas com uma camada fotossensível, para impressão. Este processo tem o nome de separação de cores ou seleção de cores. Nunca envie imagens RGB para impressão em offset, será um desastre.

Temos então 2 aspectos relativos a cor

Modo de cor (e seus canais de luminosidade) RGB e CMYK
Profundidade de cor em 8, 16 ou 32 bits por canal

posted by JOSÉ ANTONIO DE OLIVEIRA 4:44 PM
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